NOTA DE PESAR DO INSTITUTO LUKÁCS AO FALECIMENTO DE ISTVÁN MÉSZÁROS

December 13, 2017

 

 É com imensa consternação que o Instituto Lukács recebe a notícia do falecimento do filósofo marxista húngaro István Mészáros. Lamentamos profundamente o falecimento de István Mészáros e vimos a público externar aos parentes, amigos, simpatizantes, colaboradores e público em geral os nossos profundos sentimentos.

        Nascido em Budapeste na Hungria em 1930, István Mészáros possui uma longeva e profícua história de elaboração intelectual e atuação política. Graduado em Filosofia pela Universidade de Budapeste, tornou-se assistente de George Lukács no Instituto de Estética, doutorando-se em 1954. Após o exílio em 1956, devido à invasão das tropas da União Soviética, lecionou em diversas universidades pela Europa tornando-se uma das principais referências do pensamento marxista contemporâneo.

       Considerado um dos maiores difusores do legado marxiano, Mészáros vinha contribuindo de forma bastante ativa para a crítica do sistema do capital, sempre enfatizando, em sua vasta produção teórica, a indissociável ligação entre economia e política, tão defendida por Marx e Engels. Sua produção teórica, desde o livro Teoria da Alienação em Marx ao livro A Montanha que Devemos Conquistar, passando por obras como Estrutura Social e Formas de Consciência I e II, O Poder da Ideologia e Para Além do Capital – além de inúmeras outras produções de importantíssima relevância – estão indubitavelmente associadas a um projeto político universal que visa a construção de uma sociedade emancipada e livre dos imperativos do capital em todas as formas possíveis nas quais ele pode metamorfosear sua forma de controle. Mészáros em algumas de suas obras mais importantes, como Para Além do Capital e O Poder da Ideologia, realiza uma crítica ao sistema do capital, ao Estado capitalista (e pós-capitalista), à ideologia burguesa, ao reformismo e à forma defensiva (reformista) como o movimento do trabalho vem organizando os seus instrumentos e formas organizacionais de luta desde 1870.

     O legado teórico deixado por Mészáros é, inegavelmente, imprescindível para entendermos o mundo em que vivemos. Um tema em que sua relevância para entender a atualidade fica evidente, e que é uma das suas principais contribuições, é a crise do capital que emerge na década de 1970, e que permanece até hoje. Ele demonstra com detalhes a gravidade dessa crise, suas manifestações mais profundas e sua forma de abrangência e expansão para todas as esferas da sociedade. A crise que emerge desde a década de 1970 se instaura como uma crise estrutural e profunda, e que coloca em risco a sobrevivência da própria humanidade e do planeta. Algumas se suas características fundamentais podem ser resumidas como universal ao afetar todas as esferas particulares da sociedade e não apenas política, econômica, financeira ou comercial; global ao não se limitar a determinado conjunto particular de países; permanente, ao invés de limitada e cíclica como foram as crises antes de 1970; e em um modo de desdobramento rastejante.

        Mészáros, na sua defesa intransigente do projeto socialista, afirma que o movimento do trabalho precisa adotar uma postura ofensiva para além do capital. A necessidade histórica da ofensiva socialista diz respeito à ênfase no fato de que necessitamos instituir mudanças fundamentais na organização e na orientação do movimento socialista. A gravidade da crise em que vivemos nos impulsiona à direção de uma ofensiva estratégica prolongada, caso queiram realizar desde os objetivos sociais mais limitados que se apresentam no cotidiano da vida em sociedade até os objetivos potencialmente globais. Uma genuína postura ofensiva deve, mesmo almejando os objetivos mais limitados, encarar como seu objetivo constante a negação radical desta forma de sociedade sob o comando do capital e a transformação positiva do modo como reproduzimos nossa sociedade em termos globais.

        O Instituto Lukács no seu manifesto de fundação, nos idos de 2012, continua reafirmando que “nesta etapa histórica de aprofundamento da crise estrutural do capital torna-se imprescindível a constituição de mediações fundamentais para o processo de difusão e socialização do legado revolucionário produzido pelos clássicos do marxismo (Marx, Engels e Lenin) e por alguns dos seus intérpretes, especialmente Lukács (em suas obras de maturidade) e Mészáros”. O importante legado teórico de Mészáros faz com que diversos associados do Instituto Lukács venham se dedicando às pesquisas das suas obras, as quais já resultaram em publicações pelo Instituto Lukács.

        A perda de Mészáros reverbera entre seus admiradores pela sua constante generosidade ou pela intelectualidade, mas o que nos emociona é a possibilidade de reverberar principalmente entre os trabalhadores do mundo, para quem, enquanto vivo, dedicou seus últimos esforços. Mészáros, como tantos outros homens que contribuíram positivamente para a história da humanidade, mesmo com a finitude de sua vida, permanece presente, pois seus sonhos e objetivos são legados às gerações futuras que devem perseguir a superação do capital. A divulgação de sua vasta produção teórica é, para todos aqueles que lutam pelo fim da desigualdade social, das classes sociais, do Estado e do capital, uma tarefa necessária para a estratégia socialista. E que esta seja a forma de homenagearmos esse grande pensador socialista, mantendo viva a chama revolucionária em busca da emancipação humana.

 

Brasil, 02 de outubro de 2017

 

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